segunda-feira, 28 de março de 2011

Polêmica: Hospital Aldenora Bello desativa pronto atendimento


  O Instituto Maranhense de Oncologia Aldenora Bello, Hospital referência no tratamento de câncer no Estado, situado no bairro do Monte Castelo em São Luís, suspendeu na última quarta-feira (23) os serviços de Pronto Atendimento Oncológico, Tratamento da Dor e Atendimento Domiciliar, por dificuldades financeiras. 
  O blog ouviu os dois lados do assunto: o diretor financeiro do instituto maranhense de oncologia, Aldenora Bello, Ruy Freitas e Ricardo Murad, secretário estadual de saúde.

Confira entrevista com Ruy Freitas:



Agora, ouça a seguir a entrevista com Ricardo Murad:





Denúncia Recebida por e-mail

   Sou médico e trabalho no SPA (Serviço de Pronto Atendimento) do Hospital Aldenora Bello, uma espécie de emergência para pacientes com câncer que fazem tratamento neste hospital, o único de referência em oncologia para o estado do Maranhão. Este hospital é filantrópico, ou seja, a manutenção daqui é feita através de doações e de repasses do SUS.
   O repasse do SUS é feito por meio do governo do estado do Maranhão. Esse repasse não é realizado desde agosto de 2010. O hospítal não tem como arcar com as despesas do SPA apenas com recurso de doações. Desse modo, o hospital decidiu encerrar as atividades do SPA, deixando milhares de pacientes com câncer sem auxílio, quando ocorrer alguma intercorrência provocada pelo tratamento da doença ou pela própria doença. Espero que algum meio de comunicação se preste ao trabalho de informar a opinião pública de mais esse descaso com a situação de saúde do nosso estado. Reservo-me ao direito de não informar meu nome, porque sei das retaliações que posso sofrer, já que nesse estado os dirigentes ainda seguem a lei de retaliação. A informação aqui prestada é verdadeira e espero que algum meio de comunicação venha averiguar.

Nota da Secretaria de Estado da Saúde

Em 25 de março


   A assistência médica e hospitalar aos pacientes com câncer em São Luís é de responsabilidade da Prefeitura de São Luís, que tem a gestão plena do Sistema Único de Saúde (SUS).
   A Secretaria de Estado da Saúde (SES) complementa essa assistência mantendo um centro de oncologia no Hospital Tarquínio Lopes (Geral), com recursos próprios do Estado (fonte 121), exclusivamente para o atendimento a pacientes adultos. O funcionamento do serviço de urgência e emergência no Hospital Aldenora Belo é, portanto, de total responsabilidade da Prefeitura de São Luís.

Esclarecimentos do Aldenora Bello sobre fechamento do SPA do hospital

Fonte: Administração do Hospital em 25 de março

   Premidos pelo risco de dificuldades financeiras, encerramos, em 23 de março de 2011, a prestação dos serviços de Pronto Atendimento Oncológico, Tratamento da Dor e Atendimento Domiciliar, do Instituto Maranhense de Oncologia Aldenora Bello. Trata-se de serviços com financiamento insuficiente ou não financiados pelo SUS, que iniciamos em 2008. Fica bem claro que todos os demais serviços continuarão funcionando normalmente.
   Vejamos sumariamente o processo que nos propiciou o início da prestação dos serviços acima e as razões de sua posterior inviabilização.

*Através do Convênio 249/2008, assinado com a Secretaria de Estado da Saúde, recebemos, até 31/12/08, financiamento para os serviços supra e outros de alta complexidade em oncologia (*). Tratando-se de serviços com financiamento insuficiente ou mesmo não financiados pelo SUS, o convênio nos garantia R$ 237.000,00 mensais, para compensar a diferença entre a tabela SUS e nossos custos.
*Para a implementação dos serviços, fizemos vultosos investimentos, em construções, ampliações, adaptações, equipamentos e móveis, além de termos admitido um grande número de profissionais;
*Vencido em 31/12/08, só em setembro de 2009 foi assinado um novo convênio, reduzindo o valor mensal para R$ 165.518,05, embora os custos mensais estejam atualmente na ordem de R$ 330.000,00, em razão da demanda muito superior à inicialmente prevista;
*Estamos desde 01 de setembro de 2010 atendendo sem convênio. Orientados pela Secretaria de Estado da Saúde, demos entrada de processos diversos, solicitando, respectivamente, ressarcimento dos nossos gastos no período posterior ao encerramento do convênio e a celebração de um novo convênio;
*Sem solução, encaminhamos à SES Ofício, informando o encerramento dos serviços em 01/03/11. Prepostos do Secretário de Saúde nos propuseram manter a prestação de serviços, com as garantias a seguir:
*Antes do final deste mês, assinaríamos um convênio, que nos garantiria a remuneração, nos moldes atuais, até junho de 2011, retroativamente a setembro de 2010;
*Até o final de junho de 2011, assinaríamos um novo convênio, para uma solução de longo prazo
*Aproxima-se o final do sétimo mês, sem solução por parte da Secretaria. Tal montante de gastos não financiados comprometeu seriamente nosso capital de giro;
*Quando constatamos que isso ameaçava por em risco o funcionamento do hospital como um todo, fomos obrigados, muito a contragosto, a adotar a medida ora informada.
(*) Atendimento Domiciliar, Biópsia de Próstata Guiada por Ultra-Son, Biópsia Estereotáxica de Mama, Broncoscopia, Colonoscopia, Laringoscopia, Mediastinoscopia, Nefrostomia Percutânea, Pleuroscopia, Pronto Atendimento, Reabilitação e Tratamento da Dor).