quarta-feira, 31 de julho de 2013

Mais um detento é achado morto em Pedrinhas

Um detento identificado como Wallisson dos Santos Abreu, de 20 anos, foi encontrado morto na manhã de ontem em uma das celas do Centro de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. A suspeita é que ele tenha sido enforcado pelos companheiros de cela. Este foi o vigésimo presidiário morto em unidades prisionais este ano na capital. De acordo com o titular da Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap), Sebastião Uchôa, os homicídios no presídio acontecem por causa de brigas pessoais entre os detentos ou de ordens provenientes de fora da penitenciária.

O corpo da vítima foi achado por agentes penitenciários durante uma vistoria de rotina. Técnicos do Instituto de Criminalística do Maranhão (Icrim) estiveram no local e comprovaram que o detento foi enforcado. Em seguida, o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) e depois liberado para a família. Wallisson dos Santos estava na cela 5 do bloco B do CCPJ de Pedrinhas com outros nove detentos. Todos eles foram encaminhados para o 12° Distrito Policial (12° DP) no bairro do Maracanã e autuados em flagrante pelo homicídio.

A vítima estava no presídio desde o dia 22 e respondia pelo crime de roubo (artigo 157 do Código Penal Brasileiro). Ela tinha diversas passagens pela polícia por outros delitos. Ele foi preso um dia antes de completar 21 anos de idade.

Avaliação - Esta foi a sexta morte registrada este mês e a vigésima este ano no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, conforme mostram os dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública. Segundo Sebastião Uchôa, esses homicídios ocorrem, na maioria das vezes, por causa de desavenças antigas que os detentos fazem antes de chegarem aos presídios.

“Essa quantidade de mortes é bastante preocupante. A verdade é que o crime está crescendo, assim como as quadrilhas de traficantes e, muitas vezes, os integrantes desses bandos se encontram nos presídios e acontecem as mortes”, disse.

Uchôa afirmou ainda que há casos em que a ordem para matar vem de fora das unidades prisionais. “Há casos isolados dessa natureza. Os chamados ‘chefões do tráfico’ mandam as ordens para matar determinada pessoa que está na unidade”, frisou.

O titular da Sejap informou também que os monitores e agentes e penitenciários já evitaram ao longo do ano outros crimes dessa natureza nas penitenciárias. Ele afirmou também que constantemente a secretaria faz o remanejamento de presos para evitar que integrantes de gangues rivais se encontrem e ocorram os homicídios.     

A penúltima morte no Complexo de Pedrinhas ocorreu no dia 24 e teve como vítima Welderson Reis da Cunha, o Índio Branco. Ele foi assassinado a golpes de chuço durante a manhã na penitenciária. O preso estava tomando banho de sol quando foi atingido com diversos golpes desferidos por colegas de cela. Ele ainda tentou fugir, mas não conseguiu e morreu no local.

Os dados da SSP mostram que este ano 20 detentos morreram em unidades prisionais da cidade. Em janeiro foram dois; fevereiro, um; março não teve registro de mortos; em abril foram oito; em maio dois; em junho, um; e este mês já ocorreram seis casos.